Tem momentos que é impossível dizer, portanto apenas ouço, relembro e sinto… Bateu uma saudade imensa agora e com ela uma enorme dor no coração. Viver às vezes dói, mas sentir esta dor, também é sentir-se vivo.
O CÉU EM UM QUARTO
Carla Bruni
Quando estás aqui comigo
Este quarto não tem mais paredes
Mas árvores, árvores infinitas
E quando tu estás perto de mim
Este teto, violeta, não
Não existe mais, e vejo o céu sobre nós
Que permanecemos aqui, abandonados como se
Não houvesse mais nada, mais nada no mundo,
Toca a harmônica, me parece um órgão
Que canta para você e para mim
Em cima na imensidão do céu
E para você e para mim
Mmmhhhhhhh
E para você, e para mim.
mmmhhhhhhh
Hoje faz 28 anos que meu pai morreu. Figura interessantissima era ele. Um homem super moderno, libertário, amava uma novidade, tanto quanto apreciava o erudito, boa literatura e boa música. Tocata e Fuga de Bach era uma das paixões dele. Ele dizia que gostaria muito que fosse tocada em seu enterro, não foi… Na correria ninguém lembrou deste fato. Quando alguém próximo morre a gente não lembra de nada. No entanto, lembra de tudo ao longo de uma vida, cada pequeno detalhe. Cada vez que ouço Tocata e Fuga lembro do meu pai. Acho que ele, amante da modernidade, amaria ver a Vanessa Mae toda sexy empunhando o violino… Era a cara dele.
Eis uma música que nunca fez tanto sentido em um momento. Semana complicada esta, daí lembrei imediatamente desta música do Chico Buarque, aqui, cantada pela Verônica Sabino lindamente. Eis que sem palavras apenas ouço Todo o Sentimento.
(…)
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
(…)
Adoro o idioma italiano, adoro! E eu nunca sei ou saberei qual é o limite da minha breguice, mas quando estive apaixonada pelo meu italiano, cantava esta música ao telefone… risos. Acho que quando apaixonamos temos todo o direito de ser o brega do brega. Ele adorava e eu mais ainda, encantá-lo cantando. No fundo sou apenas uma grande romântica, esta é a verdade!
Ando meio nostálgica estes dias e lembrei de duas músicas, Garotos, com a Paula Toller e Garotos 2 com o Leoni. São músicas que se completam, pois mostram olhares masculinos e femininos sobre o mesmo tema. Terei que postar cada música em um post, pois está dando problemas.
Em Garotos com a Paula Toller, ela canta uma mocinha muito apaixonada e resignada a aceitar o garanhãzinho do pedaço, sei lá… Acho que há muito me passou esta fase, mas ainda acho a música uma graça.
Eu gosto mais da Garotos 2 do Leoni, na qual ele diz ter uma certo fascínio e adoração pelas meninas tão mulheres… Como eu disse antes, duas versões de uma mesma história.
Mais uma música da minha fase morando só. Quando a gente mora só sobra tempo para refletir… Eis um jogo que só o empate interessa, né?!
Comentário especial para a harmonia vocal dos Tribalistas, para a perfeição das tres vozes. Eu morreria gozando ouvindo esta voz grave do Arnaldo Antunes em meu ouvido… Nossa!
Tem umas coisas que a gente vive já sabendo que elas tem tempo certo, uma espécie de prazo de validade, sei lá… Foi assim com a gente. O tempo da duração do curso, dois anos. Mais de um ano e meio, estando, sem estar, porque eu me negava me dar totalmente, afinal, já sabia que teria fim. Em nosso último encontro, ambos sabíamos que seria o último, e que não faríamos nada pelo contrário. Foi uma ironia muito grande tocar no rádio Por tudo que for, do Lobão. Lembro que naquele dia não chorei, não na frente dele, mas me senti plena e feliz sentindo em meu corpo toda a intensidade do orgasmo dele. Essa música me lembra aquele momento, que nunca veio em meu pensamento tão forte quanto agora…
Falem o que quiser, mas quando o assunto é relação a dois, existem quatro ícones nacionais que em algum ponto de suas obras já disseram o que a alma grita, mas nem sempre a boca fala.
Chico Buarque
Roberto Carlos
Tim Maia
Maria Bethânia
Uns são mestres na composição, outros na interpretação, mas… Caramba! Basta a mente falhar, seja pela emoção, medo ou mesmo falta de criatividade diante de tanto sentimento, é só vasculhar na obra de um dos quatro aí em cima (que em muitos momentos se confundem), que certamente a gente acha a música certa. Brega? Não, romântica.
Tá combinado é uma música do Peninha, mas na voz da Maria Bethânia arrepia. É quase declamada. Estes dias eu conversava com um amigo. Eu e meus amigos… E falávamos exatamente sobre isso, sexo e amizade.
O quanto pode ser simples relacionar-se com quem nos damos bem na amizade e na cama.
O quanto pode ser frágil, pois o ser humano é um eterno inconformado e busca a paixão, não necessariamente neste colo amigo.
O quanto pode ser confortável, inominável e delicioso, mas… Quem disse que a gente busca a paz?
E principalmente, o quanto pode ser triste, se uma das partes cair na tentação de desejar além do que tem.
Riscos… Quem disse que mesmo numa relação assim não há riscos?
Tá Combinado - Maria Bethânia
Composição: Peninha
Então tá combinado, é quase nada
É tudo somente sexo e amizade.
Não tem nenhum engano nem mistério.
É tudo só brincadeira e verdade.
Podemos ver o mundo juntos,
Sermos dois e sermos muitos,
Nos sabermos sós sem estarmos sós.
Abrirmos a cabeça
Para que afinal floresça
O mais que humano em nós.
Então tá tudo dito e é tão bonito
E eu acredito num claro futuro
de música, ternura e aventura
Pro equilibrista em cima do muro.
Mas e se o amor pra nós chegar,
De nós, de algum lugar
Com todo o seu tenebroso esplendor?
Mas e se o amor já está,
se há muito tempo que chegou
E só nos enganou?
Então não fale nada, apague a estrada
Que seu caminhar já desenhou
Porque toda razão, toda palavra
Vale nada quando chega o amor…
Dia desses reencontrei um grande amigo no orkut, rapidamente fiz contato, trocamos e-mails e tem sido gostoso este revival. Neste reencontro, a gente tem contando as coisas por partes, mas nossa amizade sempre foi muito explícita e especial. É como se nunca tivesse estado longe dele, mas… Aconteceu algo estranho quando fui assinar o e-mail. Não sabia se assinava como ele me chamava ou como me chamam hoje em dia. Ter dois nomes provoca estas crises de identidade. A questão, é que não me sinto mais a pessoa de 20 anos atrás, mas ele não conhece a que sou agora… Doido né?! No segundo e-mail comentei isso. E ele me enviou a música Beattriz, de Chico Buarque e Edu Lobo e no final uma frase: “Não me importa qual, eu amo as duas!” Lindo!!!!!!